TRANSPACOOPERATIVA, entidade de Bauru e região, lança o jornal "Direção Certa"
Data. 04. Maio 2004 , 12:00 | Foram feitas 543x consultas
Autor: Administrador
Foi lançado no mês de abril, o jornal "Direção Certa", voltado para o nosso segmento e com distribuição em Bauru e região, editado pela TRANSPACOOPERATIVA, cujo presidente é o nosso amigo Vítor Talão. A APROVETUR, foi convidada a fazer um artigo no caderno "Entidade & Cia", cujo artigo entitula-se "É preciso proibir os segmentos de lotação rodoviária e urbana com Vans"
Vivemos em um País de contradições. E isso não deve ser novidade para ninguém, que tenha um mínimo de cultura e de informação.
Ouvimos os nossos governantes, de uma maneira geral, Presidente, Governadores e vários prefeitos, incentivando, enaltecendo e até cobrando, que o povo seja empreendedor, que gere renda para as suas famílias, que vençam obstáculos para ajudar o País a gerar empregos e exportar e falam com tanta convicção, que chegamos até a acreditar que isso seja verdade. E pode até ser.
Por outro lado, quando alguém, pensa que poderá trilhar esse caminho, e seguir o chamado de nossos governantes, encontramos obstáculos desse mesmo governo, normalmente protegendo um segmento ou um setor onde só os “grandes” podem estar e ficar. Esquecendo-se que esses “grandes” de hoje, começaram pequenos ontem, como nós somos hoje.
Grandes empresas de transporte em ônibus rodoviário ou de fretamento, não querem adquirir os veículos tipo Van, porque os custos / benefícios, não são compensadores para eles. Com isso, um grande segmento foi deixado “órfão”. O segmento de pequenos grupos de pessoas que precisam ser transportadas, com um custo condizente a cada um.
Dessa brecha deixada pelas “grandes” empresas, surgiram os empreendedores tão ovacionados pelos governantes, atendendo com satisfação, esse grupo de pessoas que podem ser executivos, famílias, artistas, produtores musicais, universitários, turistas, e até integrantes do próprio governo.
Até 1994, esse segmento quando queria ser atendido, usava os veículos Kombi e as Furglaine, dentre outros. Com a importação das Vans, que ofereciam e oferecem, ar condicionado, som ambiente em CD, poltronas reclináveis, e muitas Vans até foram equipadas pelos seus proprietários com Televisão e Vídeo Cassete, DVD e com Frigobar, com água, suco e refrigerantes para os seus ocupantes, passaram a oferecer também mais segurança e conforto, fazendo esse segmento dar um salto quantitativo e qualitativo expressivo para o usuário, só visto em avião e em poucos ônibus.
Pequenos grupos passaram a ter um atendimento diferenciado, passaram a ter a opção de usarem um transporte moderno, em que muitos casos, eram conduzidos pelos seus proprietários e passaram a ter um custo aceitável por esse serviço.
O crescimento foi tão grande que das primeiras “Topic”, importadas pela Asia Motors, em 1994, passaram-se a oferecer outros modelos e com outras capacidades, tais como a “Besta” e a “Bestinha”, da Kia Motors, a “Sprinter” curta e longa, da Mercedes Benz, a “IVECO” e a “Ducato” da Fiat , a “L 300” da Mitsubishi, a “Trafic” da Chevrolet e Citroen e recentemente fabricado em Curitiba a “MASTER Minibus” da Renault.
As empresas passaram a utilizar os veículos para o Transporte de seus funcionários, dos executivos quando em trânsito pelo País, os artistas para os seus Shows e os produtores de filmes, comerciais e programas de televisão para as suas atividades. Os universitários também descobriram a facilidade e segurança desse transporte. As famílias podem ir agora a restaurantes, festas, shows, todas usando apenas um veículo. Os amigos podem viajar, pescar, acampar, passear, usando uma Van.
Os Shopping Center descobriram a comodidade de levar seus clientes dos locais de trabalho para a praça de alimentação e ao Shopping. Os lojistas podem buscar seus clientes e leva-los até suas lojas, e até os Supermercados podem levar as compras da dona de casa gratuitamente.
As Vans tornaram-se tão popular e com tamanha aceitação que até os Hotéis e Pousadas as utilizam para transportar os seus hóspedes e fazerem muitos de seus passeios.
Companhias aéreas e taxis aéreos as utilizam para transporte das tripulações de vôo e de pessoal de terra.
Quando as poucas empresas de ônibus que utilizavam Vans, começaram a perder terreno para um serviço, mais direcionado, mais profissional e com mais qualidade, vimos a primeira reação do governo (pelo menos do Estado de São Paulo), que foi proibir as Vans de trafegarem nas rodovias estaduais pura e simplesmente, mais porque os ônibus não tinham e não têm interesse nesse segmento do que por falta de controle.
Depois as proibições começaram a acontecer com mais rigor e com penalidades pesadas, alastrando-se para as rodovias federais.
Aqui cabe uma ressalva. Em nenhum momento, estamos defendendo ou incentivando que pessoas ou empresas que possuam Van, venham a competir com empresas de ônibus rodoviário ou municipal, que têm o direito de explorar uma linha municipal, intermunicipal ou interestadual.
Estamos nos referindo a proibição pura e simples do Transporte Executivo efetuado com Van, em vez de sua regulamentação e autorização pelos orgãos governamentais.
Com essas proibições, surgiram movimentos esparsos de tentar contornar o problema e mostrar aos governantes, que o Transporte Executivo, era uma realidade que estava presente e precisava ser regulamentada.
Mas só que os interesses eram outros e com um agravante, onde infelizmente alastrou-se em muitas cidades o transporte urbano clandestino com Van, chamado de Perueiros.
Com a relutância dos governantes de não quererem aceitar o Transporte Executivo, de recusarem-se a resolver o problema, e de seguirem com a idéia da pura proibição, surgiram no Estado de São Paulo e depois em outros Estados, entidades de classe (cooperativas e associações), que tinham interesse na negociação e na regulamentação do segmento.
Uma das primeiras cooperativas e uma das mais atuantes foi a TRANSPACOOPERATIVA da Cidade de Bauru, presidida pelo Sr. Vitor Talão, e as associações ACAMVAP da Cidade de Jacareí, presidida pelo Sr. Gilberto Caldeira, a COOPERFRANCA, da Cidade de Franca, presidida pelo Sr. Lorival Reis e a APROVETUR da Cidade de São Paulo, presidida pelo Sr. José Antônio, também conhecido por Jota A.
Não foram poucas as reuniões entre as entidades, nem foram poucas nem fáceis as reuniões com os diversos orgãos governamentais. Procuramos apoio político junto a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e em Brasília junto a Câmara dos Deputados.
Por diversas vezes tivemos que recorrer a Justiça, movendo ações contra o governo, pelo nosso direito ao trabalho, por abuso de autoridade, por criação de “cartilhas”, dentre outras coisas, assim como tivemos que recorrer ao Ministério Público Estadual e Federal, levando informações e denuncias que a categoria colhia através dos cooperados e associados, contra membros do governo.
Tivemos também, apoio de pessoas do próprio governo, quando nos ouviam e entendiam a nossa posição e até com o Governador do Estado de São Paulo, chegamos a conversar e levar nossos anseios.
Foram e são tempos difíceis, onde alguns acreditaram na união e que sem ela não se chega a lugar algum. Muitos dos que insistiram em continuar fazendo aquilo que é realmente proibido foram punidos, com multas altíssimas, e estão até fora do mercado, outros infelizmente continuam a se arriscarem na clandestinidade e na ilegalidade.
Hoje, se existem várias empresas trabalhando livremente ou quase, ou utilizando a pseudofachada de locadora, foi graças ao esforço de entidades como a TRANSPACOOPERATIVA. Se existem pessoas que conseguem gerar empregos e renda para a sua família, foi graça ao esforço, de poucos que conseguiram essa abertura, perdendo horas e horas em reuniões tensas e de muitos interesses.
Mas a luta não acabou. Todas as entidades crêem, que é preciso, profissionalizar o segmento, tirar os aventureiros, tirar aqueles que insistem em fazer lotação rodoviária entre cidades e lotação urbana.
Temos ciência que transportamos vidas, e essa responsabilidade não pode existir sem uma contrapartida dos verdadeiros profissionais, daqueles que realmente estão preocupados com o segmento, que querem algo de bom que seja para todos, que a legalidade seja para os justos e legais. Chega de “motorista de Van”, atuando no mercado, que não se preocupa com a manutenção de seu veículo, de ter sua documentação em dia, de fazer seguro para os seus passageiros, de não querer emitir uma Nota Fiscal, de não querer trafegar com segurança.
Não somos contra a fiscalização nem contra a regulamentação. Só a queremos de maneira responsável e justa; tanto para aqueles que executam o Transporte Executivo, como para aqueles que são transportados por nós.
A TRANSPACOOPERATIVA de Bauru,tem e teve um papel muito importante, durante todo esse processo de transição e temos certeza que irá contribuir com muito mais, enquanto tivermos o Vítor Talão como Presidente. Se hoje o interior de São Paulo, esta executando o Transporte Executivo com Van, pode ter certeza que não foi graça a aquele motorista de Van que fica em cima do muro, aguardando as coisas acontecerem, foi graça a pessoas como o Vítor e seus cooperados que acreditaram nele e em seu trabalho, acreditaram na união e no esforço de toda uma categoria.
José Antônio da Silva (Jota A)
Proprietário da ALUGAVAN Locadora de Veículos de São Paulo,
Idealizador, fundador e Presidente da APROVETUR – Associação dos Proprietários de Vans para Transporte Executivo do Estado de São Paulo – www.aprovetur.com.br